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Especial para Militares

A diferença entre ponderar e falar francamente

Por Cleber Olympio


Introdução

Entre os militares existe a figura do ponderão, aquele sujeito que, vez ou outra, questiona a posição – ou mesmo a pessoa – de um superior hierárquico sem estar autorizado para tanto. Motivo de piada por sua atitude afrontosa diante de uma autoridade, o ponderão é em geral punido por sua atitude irreverente, de formas variáveis de gravidade, conforme pode prescrever o Regulamento Disciplinar ao qual está subordinado. Pelo significado da palavra, que possui sinônimos como avaliar, considerar, analisar, calcular, expor, dentre outros, o termo “ponderar” envolve um comportamento inadequado ao militar, diante do seu contexto hierárquico e disciplinar.

Jamais recomendaremos a prática dessa conduta, que dá origem ao mote “ponderar é arte, ser punido faz parte”. Não ensinaremos a “arte da ponderação” neste espaço. É certo que, às vezes e conforme a situação, ocorre uma vontade de se flexibilizar certos conceitos por parte do militar, o que se revela um risco, pois tal atitude pode ou não dar alteração.

Ainda que haja uma origem e propósitos por vezes jocosos – em nada dirigidos essencialmente para atacar alguém, senão para, de fato, subverter a ordem das coisas – esse comportamento revela algo do coração do ser humano. Quebrar regras, transgredir, questionar, murmurar, enfrentar sem razão alguma, são partes de um coração tendente ao pecado. Se com bebês ou crianças pequenas já se vê na “arte” algo mais do que apenas uma brincadeira, quanto mais com caboclos barbados e escolados na arte de ponderar! O problema não está apenas na ponderação: está em ela se transformar em postulação, a ponto de o guerreiro ficar com a pecha de “postulão” entre seus pares.

Diante de consequências que não se limitam à expedição de um Fato Observado – ou equivalente, conforme a Força –, percebe-se que é esperada da conduta do militar algo diferenciado, que procure repercutir em proveito próprio e, em especial, da Instituição e de tudo o que ela defende e representa.

Na vida cristã isso ocorre da mesma maneira. Não é o caso ponderar, mas, mediante permissão, o militar de Jesus pode falar francamente com o seu Comandante Supremo.

A importância de cessar a ponderação

Um dos grandes problemas enfrentados por Moisés na longa peregrinação do povo de Israel pelo deserto foi justamente a ponderação, e nela não havia nada de jocoso ou de descontração. Logo de início ela já veio em forma de cobrança: avaliando de forma equivocada a situação após a milagrosa e maravilhosa libertação do cativeiro do Egito, boa parte do povo começou a interpelar Moisés por provisão de água e comida. Embora ele tenha atendido aos pedidos, igualmente de forma milagrosa – e também, certamente, por ser brevetado em seu “Estágio de Operações no Deserto” – o povo não se deu por satisfeito e manteve a ponderação.

Outras demandas, no entanto, vieram acompanhadas pelo segundo estágio sobre o qual falamos anteriormente: a postulação. Os desejos por necessidades imediatas falaram mais alto do que a manutenção do equilíbrio entre corpo e mente, requisitado em condições inóspitas. O ser humano tem, por natureza, o imediatismo: é dado a pensar no que vai lhe trazer conforto e segurança de pronto. Não é problema dos tempos atuais desejar todas as coisas “para ontem”, e sim da natureza decaída do homem. A resposta às postulações veio de formas nada agradáveis: numa delas, o povo pediu carne, e ela veio na forma de codornizes, mas acompanhada de maldição, pois o povo iria comê-las “por um mês inteiro” (Nm 11:20) e, mesmo diante de intercessão em favor dos murmuradores, a carne foi convertida em maldição, e eles foram feridos com uma grande praga (v. 33).

Em todos os exemplos bíblicos de ponderação convertidos em postulação, o homem foi para a vala, às vezes literalmente. Conforme a gravidade, às vezes havia decretada a pena de morte do transgressor. O que leva, então, alguém a murmurar, ou ponderar a ponto de postular?

A causa básica de se ponderar, nesse caso, é a insatisfação, que não se confunde com queixa momentânea. A insatisfação é principalmente voltada contra Deus e o seu modo de agir. A revolta atinge Deus e sua santidade, sua essência, seu modo de se manifestar à humanidade. Para a mente carnal, fica difícil admitir que o homem aja de maneira tão grave; o pecado, no entanto, é uma desonra enorme a um Deus santo. Não fosse a justificação pela fé em Jesus Cristo, a sentença de morte seria dada a todo ponderador e postulão.

A importância de se pedir permissão para falar francamente

Não dá para negar, também, que por vezes o homem precisa expor suas necessidades. Oração é para louvar a Deus, confessar pecados, reavivar esperança, mas também é para pedir, arguir, lamentar-se, ou mesmo “rasgar o coração”. Em que isso se diferencia da ponderação?

1. Na ponderação para com Deus não há espaço para o louvor. As necessidades para o ponderão são mais importantes do que a comunhão com Deus. Ele as magnífica a ponto de tentar esconder a glória de Deus acima das circunstâncias. Ele vê as circunstâncias como meios de prova do amor de Deus. Ele não é grato a Deus, nem louva a Deus com seu comportamento perante os homens.

2. Na ponderação para com Deus não há espaço para a paciência. O tempo do Deus que é senhor do tempo é diferente do de suas criaturas. A visão limitada da criatura conduz à seguinte falsa premissa: “o meu tempo é urgente, Deus tem uma visão importante das coisas, mas tenho necessidades que não podem esperar o sol nascer”. Esse pensamento demonstra a arrogância humana de duas formas: primeiro, em fazer das suas prioridades algo mais relevante do que as prioridades de Deus, quaisquer que sejam os motivos envolvidos; segundo, demonstram uma clara visão limitada das circunstâncias, pois se atam no que passa a não ser prioritário para Deus.

3. Na ponderação para com Deus não há espaço para a esperança. A ponderação é um ídolo para o homem, pois afirma algo como superior ao propósito santo de Deus. A ponderação aprisiona o homem em suas possibilidades e relega a Deus nenhuma crença na realização de eventos impossíveis. Sem fé é impossível agradar a Deus; o ponderão acredita tanto em sua opinião particular, na legitimidade absoluta de seu pedido, que se esquece da possibilidade concreta de que Deus muda eventos, sorte e situações de seus filhos. Não havendo esperança, não há fé; e em não havendo fé, não há concretização de promessa alguma.

Agora, quais são as atitudes de quem ousa e pede permissão, em oração, para falar francamente?

A inspiração está em Hebreus 4:16 e 10:22.

1. Achegar-se. O ato de se achegar não é meramente o de comparecer, mas sim o de estar presente de modo adequado e em condições. Ninguém pede permissão para falar francamente estando com qualquer tipo de apresentação pessoal, ou mesmo em qualquer comportamento que implique numa necessidade de se compor adequadamente diante da autoridade. Espiritualmente falando, o ato de se achegar de modo adequado e em condições significa estar por inteiro diante de Deus, como alguém purificado de seus pecados e atitudes de injustiça, “e o corpo lavado com água limpa”.

2. Com confiança. Quem deseja fazer algo de modo ousado e inovador, sem qualquer pretensão de ponderar, precisa estar sob confiança. Não se vai à autoridade com tremor (físico), ainda que com temor, indicativo de respeito. Coragem é a marca do militar, tanto quanto a do cristão autêntico. Quem também não apresenta a Deus suas petições com confiança, como poderá esperar uma resposta adequada às suas necessidades? É preciso ter “inteira certeza de fé” para se aproximar de Deus em oração.

3. Ao trono da graça. Ninguém é louco de pedir permissão para falar francamente com alguém não revestido de competente autoridade para ouvir sua petição e atendê-la adequadamente. Se, em âmbito militar, isso poderia representar em tese até crime de violação de sigilo funcional (art. 326 do CPM), ou, em outros casos, uma transgressão disciplinar com sérias consequências para a imagem do militar entre seus pares e cadeia de Comando, quanto mais para o crente que “abre seu coração” para uma autoridade que não seja somente a divina. Quantos perigos são envolvidos no fato de o homem confiar nos que ele pode ver ao invés de confiar no Deus a quem não vê! Age precipitadamente quem se achega confiadamente a qualquer trono que não seja o da graça: desses outros ele poderá obter ainda mais opróbrio, senão, inclusive, desgraça.

Conclusão

Objetivamente, os efeitos da ponderação são ruins e, se não cessados, conduzem inevitavelmente à postulação, a qual demanda punição. Por outro lado, quem abandona a via da ponderação e, estando em condições, pede permissão para falar francamente, pode obter da autoridade competente a resposta adequada à sua demanda.

Portanto, ao aparecer qualquer sinal de insatisfação, cessa a ponderação! Mesmo com vontade de aloprar, cessa a ponderação! Ainda que circunstâncias e pessoas te motivem a murmurar, cessa a ponderação! Leve suas demandas adequadamente ao Senhor que, mediante pedido, autoriza a fala franca e honesta. Ele, que tudo sabe e tudo vê, espera te ouvir, e tem plenas condições de operar nas circunstâncias e, no tempo oportuno, conferir resposta a quem dela precisa, conforme sua vontade soberana.




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