“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.” — 2Tm 4,7
Apologética

Por que cremos na ressurreição de Cristo

Os fundamentos bíblicos e históricos da ressurreição de Jesus, centro da fé e da esperança cristã.

A ressurreição de Jesus não é um detalhe da fé cristã: é o seu centro. O próprio São Paulo afirma que, se Cristo não ressuscitou, a pregação e a fé seriam vazias (1Cor 15,14). O Catecismo a chama de “verdade culminante da nossa fé em Cristo” (CIC § 638). Por isso vale perguntar com seriedade: em que se apoia essa convicção?

O testemunho mais antigo

Em 1 Coríntios 15,3-8, escrita por volta do ano 55, Paulo transmite uma fórmula que ele mesmo diz ter recebido: Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia e apareceu a Pedro, aos Doze, a mais de quinhentos irmãos de uma vez, a Tiago e, por fim, ao próprio Paulo. Estudiosos de diferentes tradições datam essa confissão de poucos anos após a crucificação, quando muitas testemunhas ainda estavam vivas e podiam ser consultadas.

O túmulo vazio

Os quatro Evangelhos concordam que, na manhã do primeiro dia da semana, o túmulo foi encontrado vazio (Mc 16,1-8; Jo 20,1-10). Nem os adversários negaram esse fato: segundo Mateus, a explicação que circulou foi a de que os discípulos teriam roubado o corpo (Mt 28,11-15). Ou seja, a discussão era sobre o que aconteceu com o corpo, não sobre se o túmulo estava vazio.

Chama a atenção também que as primeiras testemunhas tenham sido mulheres. No contexto da época, o testemunho feminino tinha pouco peso público; uma narrativa inventada dificilmente as colocaria nesse papel. Muitos historiadores veem nesse detalhe um sinal de que os relatos preservam o que de fato foi lembrado.

“Não está aqui, ressuscitou.”

Lucas 24,6

Testemunhas transformadas

Os discípulos, que haviam fugido e se escondido durante a Paixão, passaram a anunciar publicamente a ressurreição em Jerusalém, a mesma cidade onde Jesus fora executado (At 2,22-36). Mantiveram esse anúncio sob prisões, açoites e, para vários deles, até a morte. É difícil explicar essa mudança se eles sabiam que a história era falsa.

Há ainda conversões inesperadas: Tiago, parente de Jesus, que não acreditava nele durante o ministério (Jo 7,5), e Paulo, que perseguia os cristãos. Ambos atribuem a mudança radical de vida a um encontro com o Ressuscitado.

E as outras explicações?

  • Roubo do corpo: não explica a transformação dos discípulos nem sua disposição de morrer por algo que saberiam ser uma fraude.
  • Alucinação: alucinações são experiências individuais; os relatos falam de aparições a grupos, inclusive a mais de quinhentas pessoas.
  • Lenda tardia: o testemunho de 1 Coríntios 15 é antigo demais para dar tempo a uma lenda se formar.

Ressurreição não é reanimação

A ressurreição de Jesus é diferente da de Lázaro, que voltou à vida comum e morreria de novo. O corpo de Cristo ressuscitado é o mesmo que foi crucificado, com as marcas da Paixão, mas glorioso, livre do tempo e do espaço (CIC § 645-646). Ele não volta simplesmente ao que era: inaugura uma vida nova, que já não conhece a morte.

O que isso muda para nós

No Credo professamos: “creio na ressurreição da carne e na vida eterna”. A ressurreição de Cristo é o princípio e a fonte da nossa própria ressurreição (CIC § 655). Por isso os cristãos se reúnem no domingo, o dia do Senhor, e por isso a morte deixa de ser a última palavra.

A fé na ressurreição não dispensa a razão, e os sinais históricos são sérios. Mas ela não se reduz a uma conclusão de argumentos: é o encontro com o Cristo vivo, que continua a transformar vidas. Para aprofundar, o Catecismo da Igreja Católica dedica a esse tema os parágrafos 638 a 658.

Referências bíblicas

  • 1 Coríntios 15,1-20
  • Marcos 16,1-8
  • João 20
  • Lucas 24
  • Atos 2,22-36
  • Catecismo da Igreja Católica, §§ 638-658

Imagem da capa: Piero della Francesca, A Ressurreição (c. 1463–1465), Sansepolcro. Domínio público, via Wikimedia Commons.